A segunda pessoa é aquela que, entre tantas, reside adormecida em cada um de nós e que desperta em momento de extrema urgência pessoal, promovendo aprendizado, ampliando a consciência, aflorando a sensibi-lidade, aumentando a percepção de nossos papéis nas esferas profissionais, familiares, dos relacionamentos amorosos, afetivos, pes-soais e de cidadania.
A
tradução exata desse movimento interno de diálogo conosco mesmo é: evolução e expansão do ser. A felicidade está sempre onde a colocamos, e nunca a encontramos onde agora estamos.
Ricardo Ibri
Cecília Meireles, em um de seus textos mais comoventes, aponta para o fato de que a felicidade se apresenta em diversos momentos e circunstâncias que vivemos. Alguns deles relacionados às ilusões, momentos de beleza e de curiosidade próprios da meninice. Outros à coragem e ao enfrentamento da juventude, e outros à simplicidade e sabedoria do cotidiano na maturidade. O que a autora revela é que a felicidade não está nas circunstâncias, mas na forma como as vemos e como nos relacionamos com elas. Mostra desse modo a inevitável necessidade de buscarmos diferentes olhares e percepções acerca das diversas situações de nossa vida.
Existem situações que achamos que acontecem apenas com certos grupos de pessoas ou com pessoas muito distantes de nosso convívio. Entretanto, quando algumas dessas situações se apresentam diante de nós, temos a sensação de que “perdemos o chão” e as “rédeas” de nossa vida, tornando nossos sonhos em sentido. O HIV/aids, assim como qualquer doença que seja incurável ou traga alguma associação com morte, traz consigo a destruição do mito da imortalidade e uma avalanche de sentimentos de inconformidade, incertezas, medo, raiva e... culpas. Por vezes, conseguimos encontrar forças em nós mesmos para “assumirmos o leme” e continuarmos a viver. Por vezes, essa força é estimulada por nossos familiares, parceiros, amigos, colegas de trabalho e, em alguns casos, por profissionais da saúde ou por instituições, como ONG e Redes de Apoio.
Nesse sentido, a “segunda pessoa” não é a que marca a flexão verbal, tu e vós, mas sim a que está presente em nós mesmos e que é ativada como reação necessária para a transformação e reconstrução de nosso próprio ser. Não seremos “outra” pessoa a partir dos enfrentamentos que experimentamos, mas podemos nos renovar por meio da aprendizagem, de nossos posicionamentos, da amplitude de nossos olhares, dos contatos com nossos pares e, principalmente, por meio de um movimento contínuo de “diálogo interior” e, assim, concluirmos que é possível sermos mais do que sobreviventes, mais do que objetos dos fatos ou das circunstâncias e nos tornarmos efetivamente sujeitos de nossas histórias capazes de nos enfrentarmos e, por extensão, vivermos com plenitude e intensidade.
O Projeto “Segunda Pessoa”, com parceria do GIV - Grupo de Incentivo à Vida e da Anglo American Brasil, apresenta histórias vividas e narradas que refletem as experiências, os conflitos, as dúvidas, os medos, que surgem com o vírus HIV, e refletem também vivências instigantes e comoventes construídas a partir dessa nova realidade. Esse projeto tem como objetivo propiciar, além de uma oportunidade de se tratar de questões fundamentais referentes à saúde, cidadania e direitos humanos, a criação de um espaço que possa conduzir-nos à percepção de como as personagens das narrativas apresentadas se relacionam com suas vidas, como olham para si mesmas, quais conhecimentos prévios possuem, que papéis assumem em suas relações sociais, e como refletem e despertam suas potencialidades para promover transformações em suas próprias histórias.
João Casanova - GIV

Luta contra Aids é prioridade da Anglo American
Mineradora de origem sul-africana combate o HIV na empresa e na comunidade
A luta contra a Aids é uma bandeira tradicional da Anglo American e faz parte de sua política de responsabilidade social. A companhia, que é uma das maiores mineradoras do mundo, foi uma das primeiras a desenvolver uma ampla estratégia de conscientização e prevenção com o objetivo de minimizar a contaminação entre seus empregados. Hoje, na África do Sul, onde a questão do HIV/Aids é mais crítica, a Anglo American fornece gratuitamente medicamentos para o tratamento de seus empregados portadores do HIV, além de oferecer tratamento terapêutico para o empregado e seus familiares.
No Brasil, a Anglo American faz parte do CEAIDS, Conselho Estadual Empresarial criado para desenvolver ações no setor privado voltadas à prevenção à doença. A empresa é representada por Silvia Almeida, que também é voluntária do GIV (Grupo de Incentivo à Vida). Em parceria com o CEAIDS, a Anglo American realiza campanhas de conscientização e educação dentro e fora da empresa, nas comunidades em que atua: Niquelândia, Barro Alto, Catalão e Ouvidor (GO), e Cubatão (SP). Segundo Silvia, essa postura é exemplo para outras companhias. “É fundamental que as empresas ajudem na divulgação de informações corretas sobre a prevenção da Aids, bem como de outras doenças sexualmente transmissíveis. Na Anglo American, que vem se posicionando de maneira cada vez mais freqüente e efetiva sobre o tema, percebemos que a conscientização dos empregados vem aumentando e que isso vem se refletindo nas famílias”, explica.
Silvia Almeida, exemplo Anglo American
Isenta de qualquer tipo de preconceito e admirada pelos colegas, Silvia Almeida é um exemplo de vida e força. Portadora do vírus HIV desde 1994, Silvia é integrante do GIV – Grupo de Incentivo à Vida, ONG de ajuda mútua para pessoas com sorologia positiva ao HIV. Ela participa também do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas - grupo que desenvolve ações para o fortalecimento a atuação de mulheres soropositivas no enfrentamento da doença e na cidadania, buscando a garantia de seus direitos, do respeito e da melhoria de qualidade de vida e assistência.
Em outubro de 2008, com o apoio da companhia, Silvia estréia no site do GIV o podcast “Segunda Pessoa”, em que conta a sua experiência desde que contraiu o HIV. “Nós queríamos falar de Aids de uma forma diferenciada. Daí, surgiu a idéia de fazer o programa”, conta Silvia, que há 24 anos trabalha na Anglo American. A série, dividida em 48 pílulas de cerca de dois minutos cada, contará as mudanças na vida de Silvia desde que ela descobriu que havia contraído o vírus.
Anglo American